sexta-feira, 27 de junho de 2008

Este Blogue dava um Programa de Rádio, uma Ópera, uma Telenovela Mexicana, Whatever

Porque blogues como este não são comuns, porque é nosso, porque aqui começámos por gritar os disparates e fantasias, e neste momento gritamos amores e paixões. Porque este blogue é nosso, sobre aquele conceito de nós que não existindo, existe muito mais do outras coisas existem. Porque te adoro e a tua voz no meu ouvido me faz sempre falta. Porque as peças, essas, afinal encaixam, tanto quanto possível, mas encaixam.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Gestos

Há gestos que marcam imenso, mesmo que não pareçam importantes. Ontem marcou-me a forma como me abraçaste quando cheguei, com força, sofregamente, com uma espécie de desespero que me assustou. Apetecia-me dizer estou aqui, vou estar sempre aqui pra ti.
Depois, à noite, impressionou-me a importância que deste ao nome no quadradinho. Para mim sempre foi uma brincadeira, nunca passou disso. Já tinha percebido que para ti era mais importante, mas só registei até que ponto quando ouvi a felicidade na tua voz ao ver o tal quadradinho. Fiquei a pensar porquê...
Fiquei a pensar que andei demasiado focada no que sinto e pouco no que tu sentes. Fiquei a pensar que andas sozinho, por mais que eu tente estar lá.
Mas estou. Estarei sempre.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Palavras

"Não tens escrito..." Dizes-me enquanto me apertas num abraço clandestino, roubado, como sempre, à vida real. Olho-te de perto, reconfortada pelo teu cheiro, enquanto penso nas razões por que não escrevo. Não tenho palavras, é a primeira coisa que me ocorre. Sinto-me bem aqui, aconchegada nos teus braços, escondida do mundo, completa. Não preciso escrever... Depois olho para dentro, para este calor que me enche o espírito e vejo-me cheia de uma só palavra, de um sentimento forte e intenso que me preenche e ameaça transbordar. Apetece-me gritar e deixa-lo voar, levado pelo vento.

Sinto os teus olhos em mim, à espera de uma resposta. Tento explicar-te medindo as palavras, com cuidado, escolhendo-as a dedo como se fossem frágeis e pudessem partir-se. Temos tido, desde o início, um enorme cuidado com as palavras. Guardamo-las, escondemo-las, dizemo-las a medo, como se o facto de serem ditas tornassem reais os sentimentos que definem. É mentira, os sentimentos estão lá, sem serem definidos por palavras, estiveram lá sempre, mesmo quando não os queríamos, mesmo quando os reprimíamos.
Calamo-nos de novo, naquele silêncio confortável que tantas vezes temos, não como se estivesse tudo dito, mas como se as palavras não fossem necessárias entre nós. Encosto-me ao teu peito satisfeita, segura, inteira. Não preciso da palavra, sei que tu entendes. E esta certeza mantém-se e prolonga-se para além do abraço, estende-se no tempo até ao momento de ir embora. A partir daí o sentimento continua a encher-me a alma mas de uma forma inútil. Faltas-me. De que serve este sentir? Estou incompleta.

sábado, 7 de junho de 2008

Depois II

E fica por dizer o quê?
O que fica por dizer em duas almas que se lêem através do brilho do olhar?
E o pouco por pouco que seja é sempre tão bom.

E nem me preocupo se passa ou não, afinal não tenho pressa nenhuma.

Sem titulo

E depois há aquelas alturas em que me adivinhas os desejos e me proporcionas alegrias que não pensava ir ter, e acompanhas-me e corres comigo, a meu lado, de mão dada, de lábios colados e linguas numa esgrima de desejo que põe a(s) cabeça(s) à roda. E contigo, de mão dada, de cócoras no meio da multidão, absorvo tudo o que me dás...até a música.