"Não tens escrito..." Dizes-me enquanto me apertas num abraço clandestino, roubado, como sempre, à vida real. Olho-te de perto, reconfortada pelo teu cheiro, enquanto penso nas razões por que não escrevo. Não tenho palavras, é a primeira coisa que me ocorre. Sinto-me bem aqui, aconchegada nos teus braços, escondida do mundo, completa. Não preciso escrever... Depois olho para dentro, para este calor que me enche o espírito e vejo-me cheia de uma só palavra, de um sentimento forte e intenso que me preenche e ameaça transbordar. Apetece-me gritar e deixa-lo voar, levado pelo vento.
Sinto os teus olhos em mim, à espera de uma resposta. Tento explicar-te medindo as palavras, com cuidado, escolhendo-as a dedo como se fossem frágeis e pudessem partir-se. Temos tido, desde o início, um enorme cuidado com as palavras. Guardamo-las, escondemo-las, dizemo-las a medo, como se o facto de serem ditas tornassem reais os sentimentos que definem. É mentira, os sentimentos estão lá, sem serem definidos por palavras, estiveram lá sempre, mesmo quando não os queríamos, mesmo quando os reprimíamos.
Calamo-nos de novo, naquele silêncio confortável que tantas vezes temos, não como se estivesse tudo dito, mas como se as palavras não fossem necessárias entre nós. Encosto-me ao teu peito satisfeita, segura, inteira. Não preciso da palavra, sei que tu entendes. E esta certeza mantém-se e prolonga-se para além do abraço, estende-se no tempo até ao momento de ir embora. A partir daí o sentimento continua a encher-me a alma mas de uma forma inútil. Faltas-me. De que serve este sentir? Estou incompleta.
Calamo-nos de novo, naquele silêncio confortável que tantas vezes temos, não como se estivesse tudo dito, mas como se as palavras não fossem necessárias entre nós. Encosto-me ao teu peito satisfeita, segura, inteira. Não preciso da palavra, sei que tu entendes. E esta certeza mantém-se e prolonga-se para além do abraço, estende-se no tempo até ao momento de ir embora. A partir daí o sentimento continua a encher-me a alma mas de uma forma inútil. Faltas-me. De que serve este sentir? Estou incompleta.
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