quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Montanha Russa II

Tem sido desde o início. Uma viagem com um destino imprevisível e uma duração incerta. Ao principio era a subir, lentamente, quase sem sentirmos que estávamos a andar, mas com o estômago apertado pela adrenalina, pela excitação, por não sabermos onde íamos nem onde era o topo. Foi bom. Depois o pico veio, demasiado depressa, quase sem darmos por ele.
Agora é sempre a descer, rápido, com o vento a bater na cara e a tirar-nos o ar. De vez em quando há um solavanco e levantamos voo. Sinto-me muitas vezes assim, a pairar... Sem saber qual é o caminho nem onde vou aterrar. Continua a ser bom, continuo a não querer sair, apesar do descanso de saber que há um fim à vista, do conforto que dá saber que não descarrilámos.
Vale a pena escreveste tu. Valeu. Vale.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Desabotoo

Doem-me os lábios, andam dormentes há vários dias, com a somatização de um desejo incontrolável. Pedem um beijo.

Quero beijar sofregamente, com violência, esfregando os lábios na pele áspera da barba por fazer. Quero sentir e saborear e cheirar e viver outra vez. Quero embebedar-me de loucura e paixão até parar de pensar.
Quero beijar como se não houvesse amanhã, até porque sei que, se o fizer, o mundo acaba e o amanhã será algo que não cabe na imaginação.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Disparate fugitivo

Tenho um disparate no bolso de trás das calças. Um enorme disparate, o maior de todos. Escorreu-me esta manhã de dentro de um lápis de carvão, sem que eu pudesse impedi-lo. Devia rasgá-lo, destruí-lo, queimá-lo, mas não. Guardei-o no bolso de trás. E agora está lá preso, abotoado, seguro, como não esteve no lápis. Que há disparates assim, fortes demais.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Montanha Russa

As emoções e as sensações sobem e descem, rapidamente, sem nunca parar, passando de um extremo a outro. Sonhamos e pensamos e sabe sempre a pouco e tenho sempre medo de mais. Mas também não quero parar o raio do carrocel, não me apetece sair. Assim rio-me e pico-te e fujo e fecho janelas que abro logo a seguir. E estou bem ou não estou ou não sei se estou.
Bjs escreves, a mandar-me embora, de regresso ao real, àquilo que realmente existe, para além dos conceitos. Não quero ir, não quero aterrar e não quero bjs. Quero beijos por inteiro, com as letras todas, nem que seja porque cada letra que escreves é mais meio segundo que te sinto comigo, é mais meio segundo que sonho acordada.

Hoje é dia

Hoje é dia de passos atrás, nesta montanha russa de emoções e sensações.
Pensamos sempre que temos as coisas mais ou menos controladas, que somos fortes, isto e aquilo, mas basta uns minutos e a escalada é irreversível.
Basta um pouco para me apetecer linhas a penetrar em quadrados, turbilhões de emoções, abandonar-me aos sentidos, não pensar em consequências, e pensar feito parvo, que tudo pode acontecer, sem que as coisas mudem ou alterem, sem que haja consequências. É então que a realidade me dá chapadas e se decide que é tempo de dar passos atrás, mesmo sem grande vontade.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Bright Sun Shiny Day

Acordei bem disposta e tomei um looongo banho. Deixei as preocupações serem lavadas pela água e não pensei. Aqueci, por dentro e por fora, pela primeira vez em dias. Depois sequei-me cuidadosamente e arranjei-me, devagar, com atenção aos detalhes, como nunca faço, como se fosse um dia especial. E o cérebro começou a funcionar, mesmo contra a minha vontade. "Porquê? Para quê?" Ressoava-me na cabeça. "Para mim, porque mereço sentir-me bem." Respondia a mulher a mulher responsável dentro de mim. "Porque é Sábado e me apetece sair!" Rebelava-se a adolescente, logo de seguida.
Abanei a cabeça e calei-as às duas. Pus creme no corpo e mudei o perfume que uso há 3 semanas. Um cheiro diferente, num dia diferente. Vesti roupa interior enquanto me lembrava da tua quase proposta. Sorri para dentro e vesti mais roupa interior.
Não sei o que vou fazer hoje, quando, onde ou com quem, mas sei que vou fazê-lo para mim mesma, que vou ser verdadeira comigo e que me vai saber bem... Mesmo que seja apenas ficar.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Crepúsculo

Sinto-te a fechares-te em ti mesmo, como se quisesses enfrentar tudo sozinho e proteger-me. Quase como se tivesses tomado uma decisão racional sobre o que fazer e pronto.
Ris-te e brincas, como sempre,mas há algo diferente. Ou se calhar não, se calhar já não sei ler em ti. Pegaste-me a mania de pensar demais.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Linha na Areia

Acordei como sempre a pensar em ti, mas quando o nevoeiro do sono se desvaneceu lembrei-me que estavas mal. Lembrei-me da angústia na tua voz ontem, antes de desligares o telefone e senti um aperto grande no peito.

Sinto-me presa e tenho de fazer algo.

Depois foi a pressa do costume para sair de casa, tudo feito a correr, os nervos a subirem. Pelo caminho ligo o rádio e oiço uma das minhas músicas preferidas:
"You're a falling star, You're the get away car.
You're the line in the sand when I go too far."
De repente percebi que tinha de te ver, tinha de fazer algo para ajudar a passar a angústia e a dor.


The line in the sand, before you go too far...


Revi mentalmente o meu dia e o que sabia do teu e pensei como tornar isso possível.
Agora falta uma hora para sair e estou a tremer por dentro, a achar que sou louca, que somos loucos, que não vai servir de nada, que só vai piorar as coisas. Dou por mim a pensar que nem sequer pus maquilhagem de manhã, que não tenho comigo uma escova.


Mas sei que era preciso uma catástrofe natural para não ir.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

...

Bates nas teclas rapidamente, sem ritmo. Paras e suspiras nas pausas. E eu fico aqui, suspensa, a ouvir a tua frustração, a sentir o que te dói. Não sei o que dizer. Eu que falo tanto, que falo tantas vezes demais fico, mais uma vez, sem palavras. Queria ter uma frase mágica que resolvesse tudo, que te deixasse feliz, sem os suspiros preocupados e o desânimo na voz. E fico aqui a ouvir-te, calada, a rebuscar nos cantos empoeirados do meu cérebro a frase certa, a expressão maravilha que vai tornar tudo fácil e bom. E não há... E não posso fazer nada, a não ser ouvir e esperar que percebas que estou aqui, do teu lado, mesmo quando não digo nada.

Noite

Dormi. A noite pareceu-me longa demais. Parece sempre, como se o meu cérebro não quisesse desligar, não quisesse largar os últimos resquícios do dia. Como se os sonhos que sonho acordada fossem mais importantes do que os que sonho a dormir.
Sinto-me cansada antes de adormecer. Fecho os olhos, deixo os pensamentos divagarem, o sono tarda a chegar. Ultimamente tenho frio. Aconchego-me mas parece não chegar. Quando finalmente aqueço, remexo-me desconfortável, a sentir frio por dentro e calor por fora. Por fim adormeço, incomodada com as correntes de ar à flor da pele.
Durmo rapidamente, a correr, perseguindo sonhos que me escorrem por entre os dedos e me deixam uma sensação de profunda frustração. Acordo cedo, antes do despertador tocar, como se não valesse a pena dormir mais. E o primeiro pensamento que tenho de manhã, igual ao último que tive antes de dormir, surge envolto ainda no nevoeiro do sono e acompanhado de um sentimento misto de espanto e admiração: tu existes!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Parvoeiras

A toda a hora tenho algo para te dizer. Abro e fecho o telemóvel inúmeras vezes. E depois estou contigo e calo-me, como se já estivesse tudo dito. Como se não fossem precisas palavras.
Sinto como se te visse todas as noites, como se chegasse. Mas depois passo o dia a inventar formas de te ver, ver. Cada uma mais rebuscada que a anterior... E nunca chega.
E eu que era tão boa a deixar de pensar.

Vale a pena

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena...
Vale a pena quando nos faz sentir vivos...
Porque isso é viver.
É sentir o sangue quente fluir e aflorar ao tom da pele
Arrepiar com o toque
Não lavar o cabelo para cheirar o whiskey e tabaco de alguém.
É sonhar
Abrir as asas e voar.
E sentir o coração apertado e a tremer

Não quero pensar

Não quero pensar, não quero pensar, não quero pensar! São incógnitas a mais, põem-me a cabeça à roda.
Quero sonhar, por mais loucos e impossíveis que os sonhos sejam. Quero sentir também, por mais perigoso que seja... porque me sinto perdida, mas viva, como já não sentia há muito tempo. E só por isso já vai ter valido a pena.

As incógnitas

A matemática tem destas coisas, as incógnitas...as incógnitas que nos fazem parar e pensar, as incógnitas que nos apetecem saborear, as incógnitas que nos lembram os nossas próprias equações incompletas cheias elas também de tantas outras incógnitas...

As incógnitas são se calhar o sal da vida então, porque se a matemática não tivesse incógnitas, tinhamos as respostas todas, e as coisas seriam sensaboronas e chatas...

Eu, neste momento, apetece-me saborear incógnitas.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Faltam-me as palavras

As palavras hoje não saem. Estou assim desde que li o que escreveste. Quero gritar que também sonho, que também quero, que também sinto e as palavras encravam. Escrevo e apago, escrevo e apago.
Uma coisa sei: não é o admitir que vai tornar a paixão real, tal como não é o negá-la que a vai fazer desaparecer. E há paixões inadmissíveis.
Não me saem as palavras. Mas também não tenho que as escrever, porque sei que as lês em mim.

Disparate

Hoje sonhei....imenso...perder-me em ti e nos teus braços, no teu cheiro, nas sensações que me provocas
Apeteceu-me dizer-te desejo-te.
Apeteceu-me dizer-te quero estar contigo.
Apeteceu-me rir, ser teenager, irresponsável sei lá.
Apeteceu-me perguntar-te se falar em paixões que têem picos rápidos é o mesmo que admitir uma paixão.
Hoje apeteceu-me ser responsável, não questionar as coisas, as realidades consolidadas que fazem as nossas opções
Hoje apeteceu-me sobretudo garantir-te, ficar a saber que te vou ter, seja de que maneira for, seja em que plano for.
E então penso, sonho e fico com o resto.
E o resto são apenas blocos que vão caindo compassadamente.
Mas a porra é que eles encaixam tão bem.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Finais

Depois, à medida que as horas passavam sem notícias tuas, só conseguia pensar em finais, cada um mais drástico que o anterior.

A Maçã de Ontem

Provou ser demasiado forte. Como é que me convenci que podia só tocar e cheirar? Deixei os anõezinhos em casa, saí do Paraíso e fui. Ignorei a sabedoria de Atena e escolhi Afrodite, quando devia ter escolhido Hera. Devia ter escolhido Hera.
Acordei depois de umas horas de sono conturbado, cheio de sonhos em que comia a maçã sofregamente, com trincadelas fortes, devoradoras. Acordei com a sensação de que me doía o corpo todo e pensei nas horas passadas a dançar. Levantei-me e percebi que o corpo estava bem, que o que me doía era a alma.
A minha pele tinha o teu cheiro, a whiskey e a tabaco. Tomar banho foi um esforço sobre-humano, mas depois de te ter mandado embora, sobre-humano parece-me fácil. Não lavei o cabelo, deixei-o a cheirar a ti. Ninguém mais vai cheirá-lo e eu vou passar o dia a puxá-lo para a frente do nariz.
Não tenho final para este texto. Hoje não consigo pensar em finais.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A Maçã desta Noite

É vermelha, luzidia, apetitosa. Apetece-me tanto! E no entanto, é a maçã da Branca-de-neve, que envenena. A de Páris, que semeia a discórdia e condena. A de Eva, que expulsa do Paraíso, o fruto proibido.
Apetece-me tanto! Mas não comer. Apetece-me tocar, deslizar os meus dedos pela casca, suave, brilhante. Apetece-me cheirar, com o nariz bem encostado e encher os pulmões com o perfume, deixá-lo encher-me e toldar-me os pensamentos.
Apetece-me tanto! Raios da maçã, insidiosa, que se infiltra nos meus pensamentos e me afasta da realidade. Que me faz sonhar, de olhos abertos mas a quererem fechar-se.
Abano a cabeça e esbugalho os olhos. Hoje não. Esta noite resisto. Fico no Paraíso, a limpar a casa dos anõezinhos e a julgar Atena a mais bela, sem escolher nenhuma.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Tempo

O dia arrasta-se e arrasta-se. Passo o tempo a pensar que nunca mais chega a hora de te ver. LOL!Como se te visse... Mas sinto-me como se te visse. E depois o tempo passa a correr, quando o teu riso é como o suave crepitar de uma lareira no meu ouvido, a aquecer-me por dentro.

Linha

Apago as mensagens que te envio e as que recebo de ti. Os telefonemas que faço e que fazes. Apago tudo, compulsivamente, como se quisesse apagar-te. Mas não quero. Não sei o que quero, ando perdida. Quero nadar, afundar-me, saltar e ficar.
Sei o que nao quero. Não quero afastar-me.

Mentiras que ocultam Verdades

Adoro o nome que escolheste, e a descrição protectora acerca de peças que não encaixam. Não encaixassem elas, e este blogue não existiria...É essa a realidade, elas podem não poder encaixar, ficar desalinhadas, e nunca se encostarem, com a certeza porém de que encaixam na perfeição.

Re-Olhares

Olho-te com um olhar triste e perdido, porque é triste e perdido que ando. Tento ser salvo, e quero que tu te agarres a mim, sem que no fundo te agarres. Por isso te aperto olhando para longe, precisamente para que não te afundes. Quero ser salvo sim. Quero nadar sim. E apetece-me nadar num mar onde linhas e quadrados se completem, sem no entanto fazer com que torres já erigidas se desmoronem por causa disso. Brinco com o fogo e faço-te brincar com ele também. O pior é que tu não te queres queimar, mas queres brincar com o fogo. E tu inebrias-me e fazes-me sonhar. E o mar ali tão perto.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Olhares

Olhas-me com um olhar triste e perdido, como que a pedir que te salve. Eu agarro-me a ti e desvio o olhar. Não posso olhar-te nos olhos, porque se te olho afundo-me. E tu apertas-me e olhas para longe. Na verdade não queres ser salvo. Na verdade ainda queres nadar.