"Não abras a janela" - pedes-me com ar ensonado - "Vem para aqui, está frio..." E eu vou, colar-me a ti, a pensar que preciso de dormir e a saber que vou ficar acordada. Está mesmo frio, penso enquanto me aconchego em ti e fecho os olhos. Depois abraças-me e o mundo pára. O tempo voa com uma rapidez estonteante e eu sinto-o a voar e deixo, tonta também, numa enorme vertigem de ti.
Pedes-me palavras que eu não tenho e eu tento clarear a cabeça, tento dar-te o que queres e não consigo. No pensamento as imagens misturam-se com as sensações e os sentimentos e eu flutuo e ardo e afundo-me e perco-me. Não sei o que digo, não se o que queres de mim... sei que estou bem, estou inteira e pertenço ali, nos teus braços. "Não tenhas medo." - sussurras baixinho enquanto me envolves. "Não tenho medo, contigo nunca tenho medo!" - respondo com certezas no tom, as únicas que tenho. Agarras-me como só tu sabes e dissipas as dúvidas, os medos e o resto do Universo.
O frio foi-se e eu derreto-me, como sempre. "Adoro sentir-te desmanchares-te nas minhas mãos."- dizes com uma sorriso carinhoso e um calor na voz que me envolve e penetra em mim e me faz desmanchar de novo. O chão treme, o ar fragmenta-se, cristaliza-se e cai sobre nós. As estações misturam-se e esvaem-se e nada existe a não ser o momento. Somos nós, ali e chega-me. A paixão, que há pouco dizia acabada, reacende-se em ondas e espalha-se pelos nossos corpos, intercaladas por conversas de alma aberta, com sentimentos a escorrerem-me dos lábios.
Depois chega o fim, forte, súbito, concretizado numa campainha estridente a coincidir com a última onda de paixão. O Mundo retoma o movimento, faço uns telefonemas, reinvento o tempo que ignorámos, recoloco o cosmos no sítio. Saio para o frio quase sem o sentir, a alma ainda cheia de ti. Faço os gestos necessários de forma automática, presa ainda nas sensações da tarde. Tento apanhar pedaços de ti no que vejo à volta. Deslocámos os planetas... dois deles colaram-se à Lua, numa desculpa para ouvir de novo a tua voz. "Não a vejo, há demasiados prédios aqui". Odeio estes obstáculos que nos separam.
Chego finalmente a casa, exausta. A realidade apanhou-me de novo e quero fugir. Deito-me e adormeço, derrotada, sem descansar realmente, a esforçar-me por ignorar os puxões do quotidiano. Acordo com o silêncio da casa. Sinto a falta dos teus braços. Reviro-me na cama a saber que não vou conseguir voltar a adormecer. Levanto-me em busca de restos de ti e tu voas para mim, como podes... Deixo-me embalar pela tua voz e durmo por fim, com o corpo a latejar de recordações e a alma quente de ti.
Pedes-me palavras que eu não tenho e eu tento clarear a cabeça, tento dar-te o que queres e não consigo. No pensamento as imagens misturam-se com as sensações e os sentimentos e eu flutuo e ardo e afundo-me e perco-me. Não sei o que digo, não se o que queres de mim... sei que estou bem, estou inteira e pertenço ali, nos teus braços. "Não tenhas medo." - sussurras baixinho enquanto me envolves. "Não tenho medo, contigo nunca tenho medo!" - respondo com certezas no tom, as únicas que tenho. Agarras-me como só tu sabes e dissipas as dúvidas, os medos e o resto do Universo.
O frio foi-se e eu derreto-me, como sempre. "Adoro sentir-te desmanchares-te nas minhas mãos."- dizes com uma sorriso carinhoso e um calor na voz que me envolve e penetra em mim e me faz desmanchar de novo. O chão treme, o ar fragmenta-se, cristaliza-se e cai sobre nós. As estações misturam-se e esvaem-se e nada existe a não ser o momento. Somos nós, ali e chega-me. A paixão, que há pouco dizia acabada, reacende-se em ondas e espalha-se pelos nossos corpos, intercaladas por conversas de alma aberta, com sentimentos a escorrerem-me dos lábios.
Depois chega o fim, forte, súbito, concretizado numa campainha estridente a coincidir com a última onda de paixão. O Mundo retoma o movimento, faço uns telefonemas, reinvento o tempo que ignorámos, recoloco o cosmos no sítio. Saio para o frio quase sem o sentir, a alma ainda cheia de ti. Faço os gestos necessários de forma automática, presa ainda nas sensações da tarde. Tento apanhar pedaços de ti no que vejo à volta. Deslocámos os planetas... dois deles colaram-se à Lua, numa desculpa para ouvir de novo a tua voz. "Não a vejo, há demasiados prédios aqui". Odeio estes obstáculos que nos separam.
Chego finalmente a casa, exausta. A realidade apanhou-me de novo e quero fugir. Deito-me e adormeço, derrotada, sem descansar realmente, a esforçar-me por ignorar os puxões do quotidiano. Acordo com o silêncio da casa. Sinto a falta dos teus braços. Reviro-me na cama a saber que não vou conseguir voltar a adormecer. Levanto-me em busca de restos de ti e tu voas para mim, como podes... Deixo-me embalar pela tua voz e durmo por fim, com o corpo a latejar de recordações e a alma quente de ti.
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