domingo, 16 de agosto de 2009

Amor

Atiras a palavra ao ar, descuidadamente, inserida na frase de forma casual como se ali pertencesse. E eu sorrio enquanto me sinto aquecer por dentro e finjo que não percebo. Finjo que não sei tudo o que queres dizer, que não leio o medo misturado nos sentimentos, que não sinto as certezas que afirmas de cada vez.
E apanho a palavra ainda no ar, rapidamente, disfarçadamente. Guardo-as todas juntas, numa caixa fresca que abro quando estou sozinha. Nessas alturas pego nelas e saboreio-as vagarosamente, recordo o tom da tua voz, o brilho dos teus olhos, a expressão do teu rosto quando as disseste. Deixo-as derreterem-se na boca e derreto-me com elas, fazendo-as durar no meu espírito e dando-lhes finalmente a importância devida. É nessas alturas que percebo que a frase mais bonita do mundo pode ser simplesmente: "Dorme bem, meu amor."

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