Toco-te. Por fim e porque me perco. Levanto voo e já não sei o que faço, nem onde estou. Pairo uns momentos e deixo-me afundar na vontade. Depois emerjo, mais uma vez, para me debater e lutar mais um pouco. Porque não posso, não podemos, é egoísmo, não estamos sós.
Afasto-me e respiro fundo. Olho para ti louca de desejo e num instante deixo de raciocinar, deixo de perceber porque não podemos. Acalmo-me. Paramos os dois. Tu olhas-me e sorris. "Pensas que és só tu que sentes?" - dizes suavemente, com uma voz que devia ser ilegal. E eu fecho os olhos e mergulho de novo nos teus braços, no teu cheiro e na inevitabilidade, dividida, partida entre o que quero e o que devo.
Ainda não foi hoje, ainda não foi desta. Por hoje ainda conseguimos pensar. Amanhã nem sequer existe.
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