É vermelha, luzidia, apetitosa. Apetece-me tanto! E no entanto, é a maçã da Branca-de-neve, que envenena. A de Páris, que semeia a discórdia e condena. A de Eva, que expulsa do Paraíso, o fruto proibido.
Apetece-me tanto! Mas não comer. Apetece-me tocar, deslizar os meus dedos pela casca, suave, brilhante. Apetece-me cheirar, com o nariz bem encostado e encher os pulmões com o perfume, deixá-lo encher-me e toldar-me os pensamentos.
Apetece-me tanto! Raios da maçã, insidiosa, que se infiltra nos meus pensamentos e me afasta da realidade. Que me faz sonhar, de olhos abertos mas a quererem fechar-se.
Abano a cabeça e esbugalho os olhos. Hoje não. Esta noite resisto. Fico no Paraíso, a limpar a casa dos anõezinhos e a julgar Atena a mais bela, sem escolher nenhuma.
Sem comentários:
Enviar um comentário