Provou ser demasiado forte. Como é que me convenci que podia só tocar e cheirar? Deixei os anõezinhos em casa, saí do Paraíso e fui. Ignorei a sabedoria de Atena e escolhi Afrodite, quando devia ter escolhido Hera. Devia ter escolhido Hera.
Acordei depois de umas horas de sono conturbado, cheio de sonhos em que comia a maçã sofregamente, com trincadelas fortes, devoradoras. Acordei com a sensação de que me doía o corpo todo e pensei nas horas passadas a dançar. Levantei-me e percebi que o corpo estava bem, que o que me doía era a alma.
A minha pele tinha o teu cheiro, a whiskey e a tabaco. Tomar banho foi um esforço sobre-humano, mas depois de te ter mandado embora, sobre-humano parece-me fácil. Não lavei o cabelo, deixei-o a cheirar a ti. Ninguém mais vai cheirá-lo e eu vou passar o dia a puxá-lo para a frente do nariz.
Não tenho final para este texto. Hoje não consigo pensar em finais.
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