terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Noite

Dormi. A noite pareceu-me longa demais. Parece sempre, como se o meu cérebro não quisesse desligar, não quisesse largar os últimos resquícios do dia. Como se os sonhos que sonho acordada fossem mais importantes do que os que sonho a dormir.
Sinto-me cansada antes de adormecer. Fecho os olhos, deixo os pensamentos divagarem, o sono tarda a chegar. Ultimamente tenho frio. Aconchego-me mas parece não chegar. Quando finalmente aqueço, remexo-me desconfortável, a sentir frio por dentro e calor por fora. Por fim adormeço, incomodada com as correntes de ar à flor da pele.
Durmo rapidamente, a correr, perseguindo sonhos que me escorrem por entre os dedos e me deixam uma sensação de profunda frustração. Acordo cedo, antes do despertador tocar, como se não valesse a pena dormir mais. E o primeiro pensamento que tenho de manhã, igual ao último que tive antes de dormir, surge envolto ainda no nevoeiro do sono e acompanhado de um sentimento misto de espanto e admiração: tu existes!

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