terça-feira, 22 de abril de 2008

Manhã

Telefono a acordar-te, mas não tens voz de sono. Já estava à espera. Racionalmente estou feliz por ti. Repito-o na minha cabeça e sei que é verdade. Mas depois há um vazio enorme que sobe por mim acima e me amarra um nó na garganta. Não entendo esta falta de controlo. Não percebo porque é que algo que eu pressionei e forcei e desejei me está a afectar tanto.
Tenho uns ciúmes doidos, não de não ter sido eu a tocar-te, nem de não ter sido eu a dormir aninhada em ti. Tenho ciumes de não ter sido eu a ouvir a tua voz ensonada ao acordares.
Sinto uma vontade irracional de fazer exercícios de Matemática, como se apenas a lógica me pudesse salvar.
Preocupa-me a utilização que fizeste das palavras quando te perguntei se estavas feliz. Respondeste que estavas muito bem disposto. A semana passada, quando te dizia que te queria ver feliz tu respondias-me que andavas feliz. Fico a pensar se é o medo disto tudo me magoar que se interpõe entre ti e a felicidade. Leio e releio o que escreveste ontem e, pela primeira vez, pondero a hipótese de cortar de repente, o que ainda ontem me horrorizava. Não quero, nem posso, estar entre ti e a felicidade. És demasiado importante para mim.

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